Mártires de Cunhaú e Uruaçu
A fé que marcou a história do Rio Grande do Norte e consagrou Canguaretama como berço de santos.
O Massacre de Cunhaú
Na época da Invasão Holandesa (1630 a 1654), havia em Cunhaú, município de Canguaretama (RN), um pequeno povoado com uma capela dedicada a Nossa Senhora das Candeias, localizada no Engenho Cunhaú.
No dia 16 de julho de 1645, sob o comando do delegado calvinista Jacob Rabe, cerca de 70 fiéis estavam reunidos para a missa dominical, celebrada pelo Padre André de Soveral. Após a elevação da hóstia e do cálice, a capela foi invadida por índios tapuias e soldados holandeses, resultando em um cruel massacre dos fiéis indefesos.
O Massacre de Uruaçu
Pouco depois, em 3 de outubro do mesmo ano, um segundo massacre ocorreu em Uruaçu, no atual município de São Gonçalo do Amarante (RN). Lá, o Padre Ambrósio Francisco Ferro e outros fiéis que haviam buscado refúgio foram brutalmente torturados e mortos pelos mesmos invasores calvinistas.
Um dos personagens de grande destaque desse massacre foi o camponês Mateus Moreira. Mesmo diante da morte e da crueldade, com o coração arrancado pelas costas, exclamou em alta voz suas últimas palavras: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento".
A Canonização
Em 5 de março de 2000, o Papa João Paulo II beatificou na Praça de São Pedro, no Vaticano, 30 desses mártires (dois sacerdotes e 28 leigos). Anos mais tarde, em 15 de outubro de 2017, os 30 Mártires de Cunhaú e Uruaçu foram oficialmente declarados Santos da Igreja Católica pelo Papa Francisco. A data de 3 de outubro foi estabelecida como feriado estadual no Rio Grande do Norte para honrar sua memória.